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A direita aceitaria uma impunidade em troca de outra no caso Master?

Se Alcolumbre encaminhar a anistia de Bolsonaro e dos presos do 8 de janeiro, a direita vai deixar de cobrar punição de ministros do STF?

Há um movimento de abafa em curso no caso Banco Master, e a eleição para a presidência do Senado vai mostrar quantos dos senadores que se elegeram prometendo enfrentar os abusos do Supremo estão dispostos a seguir em frente com as promessas que fizeram aos eleitores.

Davi Alcolumbre (União Brasil) já conta com o apoio de Lula (PT) e do Centrão para continuar no cargo. Até aí, pouca surpresa. E ele foi quem mais protegeu os ministros do STF dentro do Senado nos últimos meses.

Queremos saber dos outros que se elegeram agora. O sujeito pediu voto dizendo que ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) precisava responder pelo que fazia. Ganhou a eleição. Uma das primeiras decisões que terá de tomar em Brasília é se vai reeleger na presidência da Casa o homem que pode passar mais dois anos sem dar andamento aos pedidos de impeachment. Vai votar em Alcolumbre? Em troca de quê?

São perguntas que a imprensa já deveria estar fazendo, senador por senador, enquanto eles ainda se lembram do que prometeram em outubro. E a memória do eleitor ainda está fresca.

Moraes

Vale recordar o que estão querendo que o país esqueça. Quando surgiram as primeiras informações sobre viagens de Alexandre de Moraes em aeronaves ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Master, o gabinete do ministro tratou o assunto como ilação. Afirmou que Moraes jamais viajara em avião de Vorcaro ou na companhia dele. Em setembro, apareceu o vídeo. Nele, Moraes e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, embarcam, em 22 de agosto de 2025, num jatinho operado por uma empresa ligada ao banqueiro.

O escritório de Viviane confirmou que contratara o táxi aéreo e afirmou que Vorcaro não estava a bordo. Repare no que o público só ficou sabendo depois que apareceram as imagens. O ministro de fato usara o serviço de uma empresa ligada ao dono do banco que contratara o escritório de sua mulher. Que dificuldade havia em dizer isso na primeira nota?

Mensagens

Em março, o gabinete de Moraes também deu por encerrada a discussão sobre as mensagens do dia da prisão de Vorcaro. Alegou que uma análise técnica vinculava as capturas de tela a outros contatos do banqueiro. Em setembro, veio a público o relatório da Polícia Federal que atribuiu a Moraes mensagens nas quais Vorcaro, às vésperas da prisão, perguntava se já deveria estar fora do País. No dia em que foi preso, o banqueiro quis saber se o interlocutor havia conseguido “bloquear” a medida.

Na defesa entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes contestou o método da PF. Sustentou que os investigadores associaram anotações do celular a conversas por aproximação de horário. Pois bem. Temos uma divergência técnica sobre quem recebeu um pedido de ajuda de um banqueiro prestes a ser preso. E Brasília acha razoável deixar por isso mesmo?

Contrato

Há ainda um documento que dispensa especulação sobre quem estava do outro lado do telefone. A PF identificou, nos dados de uma minuta do contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane, edições atribuídas a Alexandre de Moraes. O escritório explicou que consultou o ministro, marido da sócia, sobre eventuais impedimentos. Ótimo. Quais trechos ele alterou? O que mudou entre a versão que recebeu e a que devolveu? A comparação das duas versões permitiria avaliar a explicação do escritório. É o tipo de cobrança que cabe à imprensa manter viva, sobretudo quando os interessados já se deram por satisfeitos com as próprias respostas.

Troca

E se o preço para que parte da direita aceite a recondução de Alcolumbre for um compromisso de abrir caminho para libertar os presos do 8 de janeiro e até o próprio Jair Bolsonaro (PL)?

Os senadores que fizeram campanha cobrando investigação de ministros topariam aceitar uma impunidade em troca de outra? Quem defende a anistia tem tribuna, voto e eleitor a quem prestar contas. Pode apresentar seus argumentos em público. O que precisa explicar é por que a defesa de Bolsonaro justificaria aliviar a cobrança sobre Moraes.

O eleitor que ouviu durante a campanha inteira que ninguém pode estar acima da lei teria todo o direito de perguntar quando foi que a promessa ganhou uma ressalva tão conveniente. Pelo visto, “a sua impunidade é ruim, mas a minha é boa”.

Cobrança

O abafa terá dado certo se chegarmos a fevereiro sabendo quantos votos Alcolumbre espera receber e ignorando o que os senadores combinaram para votar nele. A imprensa tem alguns meses para cobrar essas respostas. A sociedade também, a começar por quem votou nesses senadores justamente pelo compromisso de fiscalizar o Supremo.

Fonte: jc.uol.com.br

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