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Inadimplência recorde de novo

Brasileiros mais endividados não conseguem honrar compromissos financeiros, expondo vulnerabilidade da economia e ineficiência de políticas públicas

O Natal de 2026 se aproxima em um momento de dificuldades financeiras para mais de 84 milhões de brasileiros. É muita gente sem conseguir pagar o que deve, espichando o crédito que não tem para pagar contas atrasadas – enquanto se endivida mais para quitar parte delas. A inadimplência é um poço sem fundo para quem deve, e não dispõe de meios para voltar a respirar em um orçamento equilibrado. De acordo com o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa, o número de inadimplentes voltou a subir no país em setembro, após atingir o recorde de 83,9 milhões de pessoas em agosto. No mês passado, eram 84,2 milhões de brasileiros nessa condição.
O enorme contingente representa um aumento de 6% em relação ao mesmo mês de 2025, e 34% a mais que em 2020. São quase R$ 600 bilhões em dívidas acumuladas no sistema financeiro nacional, com valor médio acima de R$ 7 mil, ou mais de quatro salários mínimos por indivíduo. Mais de um quarto, ou 27% das dívidas, foram contraídas junto aos bancos e cartões de crédito. As financeiras concentram 20%, e contas de água, luz e gás, outros 20% do total das contas no vermelho. Vale anotar o papel dos juros nessa situação, que foge ao controle da população diante da bola de neve do endividamento turbinado porá taxas insuportáveis de juros, que tornam as dívidas, em muitos casos, impagáveis.
A facilidade para tomar crédito diante de um aperto aparece como armadilha de comprometimento da renda futura. É como fazer uma aposta perdida, já que a renda, na maioria dos casos, não acompanha o crescimento da dívida. Os juros do rotativo no cartão, no Brasil, chegam a 400% ao ano. Como o endividamento configura novo hábito para custear despesas de rotina, e não mais para a compra de bens, as famílias estão cada vez mais no pendura, sem perspectiva de solução e sem saber o que fazer. E os programas do governo federal voltados para o problema não encontram reflexo na redução do endividamento, como demonstram as estatísticas da Serasa e do Banco Central.
Um problema que vem se somar ao horizonte nebuloso para a economia, no ano que vem e nos próximos. Com a dívida pública igualmente nas alturas, um governo gastador em apego ao equilíbrio fiscal, a manutenção de juros elevados e a população sem dinheiro, a tendência é que o consumo caia ou fique em estagnação, e os empréstimos, por causa da inadimplência, se tornem menos disponíveis e mais caros do que já são. Um quadro, portanto, de arroxo geral, pouco propício ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), como apregoa o governo federal reeleito. E como faz parecer, na passagem de Lula do terceiro ao quarto mandato, pela concessão de benefícios cuja conta não tardará a chegar, como advertiram diversos economistas.
As renegociações, como as promovidas pela Serasa, sinalizam caminhos temporários de desinflamação. Mas o país demanda rotas claras de estabilização das contas privadas, assim como das contas públicas. Isso requer responsabilidade, da parte de todos os envolvidos, visando a recuperação do poder aquisitivo e da capacidade de endividamento dos brasileiros.

Fonte: jc.uol.com.br

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