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Três homens são mortos a tiros no Monte dos Guararapes, em Jaboatão

As vítimas estavam sem documentação, e as informações sobre as identidades começaram a ser confirmadas com a chegada de familiares e pessoas próximas

Três homens foram mortos a tiros na manhã desta segunda-feira (2), em uma área conhecida como Matinha, no Monte dos Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O crime teria acontecido por volta das 9h, em um terreno próximo a um campo de futebol. As vítimas foram atingidas por diversos disparos de arma de fogo em diferentes partes do corpo.

Equipes da Polícia Militar e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) estiveram no local para realizar os primeiros levantamentos. Por se tratar de uma área próxima a instalações militares, integrantes da Polícia do Exército também acompanharam os trabalhos.

Durante a perícia, foram encontrados estojos de munição de calibre nove milímetros, além de pertences pessoais das vítimas. A possibilidade de utilização de mais de uma arma não foi descartada. Segundo o delegado Paulo Vitor, que acompanhou os primeiros procedimentos, ainda não há informações conclusivas sobre a quantidade de armas utilizadas nem sobre as circunstâncias das mortes.

“Preliminarmente, o que temos aqui é um triplo homicídio executado por arma de fogo. Uma pistola, possivelmente, não se sabe se é uma ou mais, mas foi por projéteis de arma de fogo. As três vítimas estavam no mesmo contexto aqui, de espaço e de tempo. Cabe agora à Polícia Civil iniciar diligências para chegar à autoria delitiva”, afirmou.

Criminosos teriam chegado em um carro

Relatos de moradores indicam que os suspeitos teriam chegado ao local em um veículo e surpreendido os homens que estavam na região. Segundo as primeiras informações, as vítimas costumavam ficar embaixo de uma árvore nas proximidades do campo de futebol.

Com a chegada dos criminosos, os rapazes teriam tentado fugir em direções diferentes, mas acabaram alcançados pelos disparos. A dinâmica do ataque, no entanto, ainda não foi confirmada pela investigação.

O delegado Paulo Vitor afirmou que a Polícia Civil recebeu informações sobre um possível veículo que teria sido utilizado na ação, mas ressaltou que a hipótese ainda precisa ser confrontada com os elementos encontrados no local.

“Havia informações preliminares de um veículo que estava circulando no momento do crime e que, em tese, teria sido utilizado para essa execução. Mas vamos tentar confirmar essas informações. É tudo muito incipiente agora, no momento. Vamos dar espaço para a Polícia Civil realizar seu trabalho técnico”, explicou.

Vítimas foram identificadas ao longo da manhã

Segundo o delegado, as vítimas estavam sem documentação, e as informações sobre suas identidades começaram a ser confirmadas com a chegada de familiares e pessoas próximas.

Entre os mortos está José Moisés Ferreira. Parentes dele compareceram ao local para reconhecimento. Outra vítima foi identificada como Weydson Firmino da Silva, conhecido na comunidade como Chegadinho.

O homem era conhecido por moradores da região, que relataram manter proximidade com ele. Um idoso que conhecia Chegadinho e morava nas proximidades contou que costumava aconselhá-lo a abandonar a rotina que levava e procurar uma ocupação.

“Eu conhecia ele por Chegadinho. Morava vizinho da minha casa. Era muito próximo, a gente dava conselho, dizia para sair dessa vida, procurar um emprego, vender uma água no sinal, alguma coisa. Mas ele dizia que estava tranquilo. Ele andava por aqui de madrugada, uma hora, duas horas da manhã, estava sempre circulando pela região”, relatou.

O morador também disse que ouviu os disparos enquanto estava em casa. Inicialmente, chegou a imaginar que os tiros fossem resultado de algum treinamento militar, devido à proximidade com a área do Exército.

“Quando eu escutei os tiros, pensei que fosse o pessoal das Forças Armadas atirando, fazendo treinamento. Mas, quando cheguei aqui, ouvi as mulheres dizendo que tinham matado os homens lá em cima. Ele estava nesse matagal, nesse local. Pode ter sido no lugar errado, na hora errada. Quem sabe? A gente não sabe o que aconteceu”, afirmou.

Polícia investiga possível relação com disputa criminosa

Moradores também levantaram a possibilidade de o triplo homicídio estar relacionado a uma disputa entre grupos criminosos que atuam na região. Entre os comentários ouvidos no local está a suspeita de que o crime possa ter sido ordenado por integrantes do Comando Vermelho.

A hipótese, porém, não foi confirmada pela Polícia Civil. Questionado sobre uma possível motivação ligada ao tráfico de drogas ou à atuação de facções, o delegado Paulo Vitor afirmou que prefere aguardar o avanço das diligências antes de apontar uma linha de investigação.

“A motivação, eu sou muito cauteloso na hora de indicar. Prefiro ver os indícios e trabalhar junto com o delegado que será responsável pela condução do inquérito. Vamos tentar alinhar essas informações e chegar, de forma objetiva e técnica, à resolução desse delito”, declarou.

Sobre a possibilidade de as vítimas serem usuárias de drogas, o delegado também afirmou que existem relatos preliminares nesse sentido, mas que não há confirmação. Os objetos encontrados com os homens e as demais evidências passarão por análise.

Outro ponto considerado pela polícia é a possível relação entre as três vítimas. Para o delegado, o fato de os corpos terem sido encontrados no mesmo espaço e em um contexto próximo de tempo permite levantar essa suspeita, mas ainda não é possível afirmar se os homens eram alvos de uma mesma ação ou se havia uma vítima específica.

Polícia não descarta outras pessoas feridas

Testemunhas também relataram que outros dois homens teriam sido atingidos ou feridos durante a ocorrência e conseguido deixar a área em busca de socorro. A informação ainda não foi confirmada oficialmente.

O delegado afirmou que não poderia se manifestar sobre a existência de possíveis sobreviventes antes da checagem dos relatos.

A polícia também investiga as circunstâncias do ataque para esclarecer se houve tentativa de roubo. Segundo o delegado, alguns pertences de valor foram encontrados com as vítimas, o que, inicialmente, não coloca o crime patrimonial como principal linha de apuração.

A investigação ficará a cargo da Polícia Civil, que deverá analisar os vestígios recolhidos pela perícia, ouvir testemunhas e levantar o histórico das vítimas para esclarecer a autoria e a motivação do triplo homicídio.

 

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Fonte: jc.uol.com.br

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